Em meio a um tempo em que as mulheres tinham dificuldades de seguir a carreira científica, majoritariamente, das ciências exatas, Vera Rubin, foi responsável pela comprovação da existência da matéria escura no universo. Portanto, deixando seu legado na luta pela importância da presença feminina no campo científico.
Vera nasceu em 1928, na Filadélfia, EUA. Em vida, defendeu a liberdade e igualdade no setor educacional. Foi a primeira mulher, com muita dificuldade, a obter autorização para realizar observações no Observatório de Polonar, em San Diego — operado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech.
Salienta-se que, em função da sua luta pela igualdade na educação, em 1965 não havia banheiro feminino no observatório. Então, Rubin, recortou um pedaço de papel no formato de uma saia e o colou na porta do banheiro, logo em seguida disse “agora sim, agora temos um banheiro de mulheres”.
Ainda criança, apaixonada pelo céu e as estrelas, Vera e seu pai — engenheiro elétrico — passavam as noites olhando para as maravilhas do Universo, até que, juntos, constroem seu primeiro telescópio.

Anos mais tarde, candidata-se à Universidade de Princeton, porém não recebeu respostas, pois a instituição não aceitava mulheres.
Acabou fazendo seus estudos de graduação na Vassar College e o mestrado na Universidade de Cornell, onde esteve com professores e cientistas excepcionais, como Richard Feynman ou Hans Beth, e o doutorado na Universidade de Georgetown, orientada pelo George Gamow, um dos maiores defensores da teoria do Big Bang.
Foi neste momento que apresentou importantes resultados a cerca do movimento das galáxias que só foram levados a sério décadas depois.
Doutora, Vera estudou a galáxia de Andrômeda, vizinha da Via Láctea, em conjunto de seu colega Kent Ford.
Observou que as estrelas mais externas giravam com a mesma velocidade das estrelas centrais, contrariando as leis de Newton.
Assim, comprovando a existência da matéria escura, que compõe 23% do universo. Mesmo que seja invisível, influenciava com sua força gravitacional o movimento das estrelas.
Sem Nobel
Apesar da enorme contribuição, Vera não foi ganhadora do Prêmio Nobel de Física. Até 2018, somente 3 mulheres foram laureadas, dentre 200 ganhadores desde 1901.
Não obstante, continuou firme nas pesquisas científicas até seus 88 anos, quando faleceu em 2016.
“Não deixe ninguém te colocar para baixo por razões estúpidas como quem você é”.
“E não se preocupe com prêmios e fama. O prêmio de verdade é encontrar algo novo lá fora”.
– Vera Rubin